dimecres, 11 d’octubre de 2017

Tempo

Hola papallones de paper!
I benvingudes al regne màgic de les lletres, al Batec de les paraules!

Després d'uns mesos més d'absència, aquí sota he deixat un petit relat en portuguès. Pot semblar bonic però depriment, a lo millor sentiu que us anima a lluitar-hi o a unir-se a la majoria, potser us deixa indiferents... No ho sé,  però això ho vull descobrir als comentaris! I, si no voleu escriure, podeu clicar en una de les opcions de sota de l'entrada.
Crec que al menys ens fa reflexionar, i és el que vaig fer jo precisament en escriure-ho, és com una reflexió amb llenguatge literari. Com una ceba vestida amb una capa més engalanada que la resta, més rogenca que no pas la resta, transparents i insípides.

Petons de nèctar i fins una altra!

Calíope


As luzes da cidade iam apagando se ao tempo que a lua ia deixando-se ver no céu. As nuvens começavam a desfazer-se em algodão fino e em pó caiam sobre as casas, manchando-as. E eles seguiam virados para a janela. Um em cada ponta da urbanização, se conheciam ainda que não tivessem falado. Sabiam que alguém mais passava horas com o nariz colado ao vidro e a vista fixa no horizonte. Sabiam ou queriam crer que não eram os únicos a sonhar. Que não eram os únicos com sonhos por cumprir e esperança por conseguir-lhos. Queriam acreditar que havia gente a lutar pelos seus princípios e que não se dava por vencida. Queriam pensar que não tudo estava perdido.

E olhavam para os pássaros, sombras fugazes que fugiam à procura de refúgio. E olhavam para as ramas das árvores, balançadas pelo vento, bravio, indomável, lutador. E olhavam para aqueles pontos no chão, aqueles seres com tanta pressa dos que se sentiam tão distanciados, que se mexiam dum lado para o outro como se o tempo estivesse a instar-lhes a isso.

-Corram! Mas não pensem que avançaram ao relógio, que não vai depressa mas sempre está lá antes que o resto.

Suspiravam, entristecidos, porque sentiam pena daqueles que não pareciam apreciar a beleza da vida e faziam dela um eterno stresse.

-Somos como eles? Somos, em efeito, fantasmas efémeros que só pensam naquilo instantâneo e material? Somos nesse caso bestas marginais e egocentristas? Sendo assim, seria melhor começar de novo e, desta vez, fazer-lho bem.- pensaram, fechando dum golpe as portas da fenestra.




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